Évian, França, 16 jun 2026 (Lusa) – O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta terça-feira que o novo acordo preliminar fechado com o Irão estabelece uma proibição total e inequívoca de Teerão fabricar ou comprar armamento nuclear. A declaração foi feita em Évian, França, à margem da cimeira do G7, onde o líder norte-americano surgiu acompanhado pelo emir do Qatar, Tamim bin Hamad al-Thani. Trump manifestou-se confiante no sucesso do documento, cuja assinatura oficial está agendada para a próxima sexta-feira.
O chefe da Casa Blaca fez questão de sublinhar que, ao contrário do pacto alcançado na era de Barack Obama, este novo compromisso é "justo" e não contempla qualquer tipo de injeção financeira, investimentos ou pagamentos à República Islâmica. Segundo Trump, o fecho do texto foi ligeiramente adiado porque Washington fez finca-pé para que o documento impedisse expressamente não só a produção interna, mas também a aquisição externa de tecnologia nuclear militar. O governante deixou ainda um aviso severo: caso os iranianos quebrem a palavra, as consequências serão devastadoras.
Apesar de a estratégia inicial da ofensiva de Washington e Israel ter passado pela deposição do regime iraniano, Trump desvalorizou essa meta no contexto atual. O Presidente norte-americano ironizou, contudo, que uma "mudança de regime" acabou por acontecer na prática, dada a eliminação sucessiva das anteriores lideranças políticas e militares em ataques aéreos. O líder dos EUA elogiou os atuais interlocutores de Teerão, apelidando-os de "fortes, inteligentes" e "racionais", notando que estes se mostram focados em recuperar o país sem recorrer a posturas radicalizadas.
Mais do que travar as ambições nucleares, este entendimento preliminar assegura a extensão, por um período adicional de 60 dias, do cessar-fogo que vigora entre as partes desde o passado dia 08 de abril. O documento serve também de base estrutural para balizar as próximas rondas de conversações diplomáticas. Em termos práticos imediatos, o acordo dita a reabertura à navegação do Estreito de Ormuz e prevê o alívio gradual e faseado das sanções económicas que asfixiavam o Irão.
Apesar do clima de entendimento verificado em França e da mediação conduzida pelo Paquistão, o cenário no terreno mantém-se altamente complexo. As forças militares de Israel continuam a ocupar extensas áreas do sul do Líbano e os bombardeamentos aéreos persistem. Telavive justifica as investidas como resposta às ações do Hezbollah, o grupo radical pró-iraniano. Desde o início deste conflito alargado, a violência dos ataques israelitas em solo libanês já provocou a morte a perto de 3.800 pessoas e forçou o deslocamento de mais de um milhão de civis.