Santarém, 06 jun 2026 (Lusa) — O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, admitiu hoje publicamente que a verba de 20 milhões de euros avançada pelo Governo para combater a escalada dos custos de produção no setor "é insuficiente". À margem da Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, o governante assumiu que o país precisa de financiamento adicional de Bruxelas e que a resposta à crise tem de ser coordenada à escala europeia.
Para o ministro, o maior perigo de uma resposta individual de cada país reside na distorção do mercado ibérico e europeu. "Num mercado sem fronteiras, se os países mais ricos apoiam mais os seus agricultores, os mais pobres não conseguem acompanhar", alertou, justificando assim a necessidade de fundos comunitários para fazer face à volatilidade dos preços da energia e dos fertilizantes.
O governante mostrou-se ainda solidário com as queixas dos produtores relativas aos atrasos nos pagamentos e à lentidão dos processos. Reconhecendo que "há muita burocracia" a travar o setor, elogiou a paciência dos agricultores e garantiu que o Executivo tem a obrigação de acelerar a simplificação administrativa em curso.
Apesar dos desabafos sobre a escassez dos apoios conjunturais, José Manuel Fernandes aproveitou o palco de Santarém para injetar otimismo no setor, lembrando os números da pasta que tutela. Destacou o reforço de 660 milhões de euros no envelope financeiro da agricultura, os mais de 500 milhões de euros em marcha no plano hídrico "Água que Une" e o facto de Portugal ter alcançado uma taxa de autoaprovisionamento alimentar de 86%.
O ministro terminou com um apelo à valorização social da atividade, lembrando que "a agricultura é, antes de mais, comida no prato", e revelou que o Governo está a preparar nova legislação para resolver a falta de mão de obra, facilitando a criação de habitação para trabalhadores dentro das próprias explorações agrícolas.