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Trabalhadores de estádio do Mundial 2026 nos EUA aprovam recurso à greve
Cerca de dois mil funcionários de hotelaria e restauração do SoFi Stadium, em Los Angeles, ameaçam cruzar os braços no dia do jogo de estreia da seleção norte-americana.
Por Redação
Publicado em 06/06/2026 09:06
Desporto
@Lusa

Los Angeles, Estados Unidos, 06 jun 2026 (Lusa) — Os trabalhadores do SoFi Stadium, em Los Angeles, um dos principais palcos norte-americanos do Mundial 2026 de futebol, votaram na sexta-feira a favor da realização de uma greve. A decisão coloca em alerta a organização do torneio a escassos dias do arranque da competição, que deverá atrair milhões de adeptos aos Estados Unidos, México e Canadá durante os meses de junho e julho.

A votação unânime não avança de imediato para a paralisação, mas confere mandato sindical aos cerca de dois mil empregados de bar, mesas, cozinheiros e lavadores de pratos para avançarem com o protesto. Caso as negociações contratuais com a Legends Global — empresa concessionária da restauração e hospitalidade do recinto — continuem num impasse, a greve poderá arrancar a 12 de junho, precisamente o dia em que o SoFi Stadium recebe o jogo de estreia da seleção dos Estados Unidos frente ao Paraguai.

Na base das reivindicações do sindicato UNITE HERE Local 11 estão os baixos salários e o medo face ao reforço da segurança federal. Os trabalhadores exigem aumentos salariais justos num evento que gerará lucros recorde, além de garantias de proteção contra a subcontratação e salvaguardas perante o aumento de vistorias do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).

"De que serve o Mundial se os trabalhadores não ganham para pagar a renda e temem ser detidos pelo ICE à porta do emprego?", questionou Kurt Petersen, copresidente do sindicato, ameaçando de forma irónica que, em caso de greve, os camarotes de luxo da FIFA "apenas terão água engarrafada e Doritos". Em resposta, as autoridades policiais locais já vieram esclarecer que as forças federais presentes nos estádios servirão apenas para garantir a segurança pública do evento e não para realizar ações de fiscalização migratória.

O clima de contestação social não se cinge a Los Angeles. Coletivos de cidadãos e grupos comunitários noutras cidades-sede norte-americanas, como Atlanta e Miami, também já exigiram formalmente a suspensão das operações de fiscalização da imigração nas imediações dos recintos desportivos e das fan zones oficiais para evitar detenções em massa durante o torneio.

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