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Dependência do carro compromete bom desempenho ambiental de Portugal
Embora o país lidere na produção de energias limpas e tenha uma baixa pegada carbónica por habitante, a forte ligação aos veículos particulares afeta as metas climáticas.
Por Redação
Publicado em 05/06/2026 09:02
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Foto:José Coelho / Lusa

Lisboa, 05 jun 2026 (Lusa) — Portugal apresenta indicadores ecológicos de relevo ao nível europeu, mas o balanço global é penalizado pela forte utilização do automóvel privado. O retrato estatístico, preparado pela Pordata (da Fundação Francisco Manuel dos Santos) para assinalar o Dia Mundial do Ambiente, revela que o país inverteu a sua tendência de mobilidade nas últimas décadas, abandonando os transportes coletivos.

Entre 1990 e 2023, a quota de utilização de transportes públicos em Portugal desabou de 29% para 12%, enquanto o recurso ao veículo próprio disparou dos 72% para os 88%. Esta mudança drástica colocou o país numa posição inversa à desejada: Portugal passou de um dos países europeus que menos dependia do carro para o topo dessa lista. Atualmente, 88,2% dos quilómetros efetuados por passageiros são feitos em transporte individual (o terceiro valor mais alto da União Europeia), deixando a utilização de comboios (4,2%) e autocarros (7,5%) a metade da média comunitária. Em paralelo, o parque automóvel mais do que triplicou no espaço de três décadas, registando-se agora a média de um carro por cada duas pessoas.

Esta dependência reflete-se diretamente na qualidade do ar, com o setor dos transportes a assumir a liderança das emissões poluentes em Portugal, sendo responsável por 34,4% do total nacional. Embora a venda de automóveis elétricos tenha crescido (representando 20% das novas matrículas em 2024, acima dos 13,5% da média europeia), cerca de um quarto de todas as emissões do país ainda provém da queima de combustíveis fósseis nas estradas. Devido a este cenário, Portugal foi o terceiro país da UE que menos reduziu as suas emissões totais de gases com efeito de estufa entre 1990 e 2024.

Ainda assim, os dados da Pordata destacam pontos muito positivos na transição energética nacional. Portugal surge como o terceiro país da UE com menos emissões per capita (atrás da Suécia e de Malta) e está no grupo dos quatro Estados-membros onde mais de 95% da eletricidade produzida provém de fontes limpas. No consumo final de energia, o país ocupa a sexta posição europeia no uso de renováveis. O perfil de consumo das famílias portuguesas também se destaca pela vertente sustentável, assentando sobretudo na eletricidade da rede (43,2%) e em energias renováveis (36,7%), ao contrário do panorama europeu, que continua a estar muito dependente do gás natural.

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