Bruxelas, 04 jun 2026 (Lusa) — A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, criticou duramente as recentes restrições regulatórias e comerciais impostas pela Rússia à Arménia. Segundo um comunicado divulgado esta quinta-feira pelo executivo comunitário, a líder europeia classificou a estratégia de Moscovo como uma forma inaceitável de "coerção económica", reagindo com o anúncio de um apoio financeiro imediato de 50 milhões de euros para Erevan.
A posição de Bruxelas surge após uma conversa telefónica entre Von der Leyen e o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan. Para a responsável europeia, ao prolongar as barreiras alfandegárias aos produtos daquele país, o Kremlin está a transformar as trocas comerciais num instrumento de chantagem geopolítica. "Conhecemos bem este manual de procedimentos", sublinhou a presidente da Comissão, garantindo que a União Europeia (UE) se manterá firme no apoio à Arménia.
As sanções veladas aplicadas por Moscovo têm como alvo principal o setor agroalimentar e de produtos perecíveis, englobando o bloqueio à importação de flores e outros bens agrícolas sob o pretexto de exigências sanitárias e controlos aduaneiros mais severos. Em resposta, além da injeção financeira, a UE comprometeu-se a facilitar a entrada de mercadorias arménias no mercado comunitário e a apoiar diretamente as indústrias mais fustigadas pela quebra nas vendas.
Esta retaliação económica por parte da Rússia intensificou-se após a primeira cimeira bilateral entre a UE e a Arménia, realizada no início de maio, que selou uma aproximação histórica entre os dois blocos. Desde 2024, os programas de assistência do Plano de Resiliência e Crescimento europeu já beneficiaram cerca de 7.000 empresas arménias e impulsionaram a criação de mais de 20 mil postos de trabalho no país.