Pequim, 01 jun 2026 (Lusa) – O Governo chinês acusou o jornal norte-americano New York Times de difundir “retórica separatista” em relação a Taiwan, numa reação pública às recentes polémicas envolvendo a correspondente Vivian Wang e a cobertura editorial do diário.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, criticou o jornal por se referir a Taiwan como “um país”, considerando que essa formulação “envia sinais errados” e incentiva forças separatistas na ilha.
O responsável instou o New York Times a corrigir aquilo que Pequim classifica como erros editoriais, reforçando a posição oficial da China de que Taiwan é parte integrante do seu território.
Sobre o caso da jornalista Vivian Wang, Lin Jian afirmou que a correspondente terá cometido alegadas irregularidades administrativas relacionadas com seguros durante a sua permanência na China, o que levou ao cancelamento das suas credenciais.
O porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de exercerem pressão sobre jornalistas chineses que trabalham em território norte-americano, defendendo que tais ações contribuem para o agravamento das tensões entre os dois países no setor da comunicação social.
Pequim garantiu, por outro lado, que continua a facilitar o trabalho de jornalistas estrangeiros no país e a conceder vistos a profissionais norte-americanos, apontando dificuldades enfrentadas por repórteres chineses nos Estados Unidos como sinal de desequilíbrio.
As autoridades chinesas apelaram a Washington para respeitar os compromissos assumidos em matéria de liberdade de imprensa e garantir condições de trabalho justas para jornalistas de ambos os países.
A presidência de Taiwan reagiu anteriormente às tensões, acusando Pequim de interferir na liberdade de imprensa e de exercer pressão sobre meios de comunicação internacionais após a publicação de conteúdos relacionados com o líder taiwanês William Lai.
Nos últimos meses, a China tem intensificado a pressão diplomática sobre Taiwan e limitado a sua participação em organizações internacionais, mantendo a posição de que a ilha deve ser reunificada com o continente.