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Aldeias de Crianças SOS defendem reforço do acolhimento familiar e redução da institucionalização
Organização alerta para excesso de crianças em instituições e pede aceleração da transição para o acolhimento familiar até 2030.
Por Redação
Publicado em 31/05/2026 11:13
Nacional
Foto:Miguel A Lopes / Lusa

Lisboa, 31 mai 2026 (Lusa) — A associação Aldeias de Crianças SOS apelou ao Governo para reforçar o sistema de acolhimento familiar em Portugal e reduzir o número de crianças em instituições, defendendo uma mudança estrutural na resposta social de proteção à infância.

Num comunicado citado pela Lusa, a organização sublinha que, apesar de a legislação prever o acolhimento familiar como solução prioritária para crianças até aos seis anos, a maioria continua a ser colocada em casas de acolhimento. Segundo dados referidos pela entidade, mais de 70% das crianças desta faixa etária permanecem em instituições.

A associação alerta ainda que, de um total de 6.349 crianças institucionalizadas, apenas 361 se encontram em famílias de acolhimento, um número considerado abaixo das recomendações internacionais.

As Aldeias de Crianças SOS defendem a aceleração do processo de desinstitucionalização até 2030, propondo que o acolhimento familiar passe a ser o eixo central das políticas públicas de proteção à infância em Portugal.

Citada no mesmo comunicado, a diretora-geral da instituição, Guida Mendes Bernardo, afirma que investir no acolhimento familiar significa não apenas proteger crianças, mas também reforçar a coesão social e a sustentabilidade do sistema de proteção.

A organização considera que o modelo atual continua a privilegiar respostas institucionais e aponta fragilidades estruturais, como a falta de famílias de acolhimento, a burocracia associada aos processos e a subutilização de soluções familiares alargadas.

Defende ainda um reforço das equipas técnicas, maior formação especializada e uma melhor articulação entre os vários serviços envolvidos no sistema de proteção de crianças e jovens.

As Aldeias de Crianças SOS sublinham também a necessidade de sensibilizar a população para o acolhimento familiar, alertando para o desconhecimento ainda existente sobre o tema.

A organização refere que estudos internacionais indicam que crianças integradas em contextos familiares estáveis apresentam melhores resultados ao nível escolar, social e emocional, além de menor dependência de apoios públicos ao longo da vida.

Segundo a entidade, o acolhimento familiar contribui ainda para reduzir fenómenos como o abandono escolar, problemas de saúde mental e exclusão social, sendo também uma solução com custos inferiores face à institucionalização.

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