Penafiel — A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, defendeu este sábado que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, precisa de alterar profundamente a sua postura executiva caso queira afastar o cenário de uma nova ida às urnas. As declarações surgiram em Penafiel, à margem de uma visita matinal ao Canil Municipal daquela localidade, onde a deputada comentou as recentes afirmações do líder do PSD, que havia assegurado que os portugueses estão cansados de atos eleitorais e que o Governo só será avaliado em 2029.
Em declarações prestadas à agência Lusa, Inês Sousa Real lamentou o que considera ser uma incoerência política, sublinhando que os partidos que hoje ocupam o poder não demonstraram a mesma contenção ou preocupação com a estabilidade quando se encontravam na oposição. Na ótica da dirigente do PAN, Luís Montenegro está a aplicar a máxima do "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".
A líder do PAN esclareceu que, embora o seu partido privilegie a estabilidade dos ciclos políticos, essa premissa não pode funcionar como um "cheque em branco" para que o Executivo da Aliança Democrática governe de costas voltadas para as restantes forças parlamentares. Como exemplo, a deputada apontou à agência Lusa a recente reforma do pacote laboral, criticando o recuo em direitos que considera fundamentais, como os apoios à amamentação.
Sousa Real recordou ainda que, no último sufrágio, foi o próprio atual primeiro-ministro a precipitar o país para eleições ao avançar com uma moção de confiança que classificou como "absolutamente desnecessária".
Para a porta-voz do PAN, a população anseia pelo fim dos jogos de bastidores na política, exigindo respostas concretas para a crise da habitação, oportunidades de emprego dignas para as camadas mais jovens e medidas robustas de proteção ambiental. A deputada concluiu afirmando que as forças políticas tradicionais têm revelado uma "visão muito curta" e têm falhado em corresponder à confiança depositada pelos eleitores portugueses.