Porto, 22 de maio de 2026 (Lusa) — Os médicos Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias, os dois ativistas portugueses que integraram a flotilha humanitária rumo a Gaza, aterraram esta sexta-feira no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, após terem estado detidos pelas autoridades israelitas.
À chegada, Gonçalo Reis Dias relatou aos jornalistas momentos de elevada tensão e violência gratuita durante a interceção das embarcações, descrevendo agressões físicas e psicológicas, bem como o uso de armas de fogo contra outros tripulantes. O ativista sublinhou que a detenção foi pesada, mas destacou o sentimento de solidariedade, partilhando que o apoio diplomático e institucional ajudou a suportar a situação. O regresso dos portugueses já tinha sido antecipado e confirmado à agência Lusa pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que detalhou o plano de viagem de Israel para Istambul, antes do voo final para o Porto.
A detenção ocorreu no início da semana, quando as Forças Armadas de Israel intercetaram, em águas internacionais, os cerca de 50 barcos da Flotilha Global Sumud. A operação, que transportava perto de 430 ativistas com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, gerou forte indignação internacional após a divulgação de imagens polémicas que mostram o ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, a humilhar vários dos detidos.
Face aos acontecimentos e ao tratamento dado aos voluntários em solo israelita antes da sua deportação, a União Europeia já reagiu publicamente, classificando as ações das autoridades de Israel como "completamente inaceitáveis".