Kinshasa, 17 mai 2026 (Lusa) — O Instituto Nacional de Investigação Biomédica (INRB) da República Democrática do Congo confirmou este domingo o primeiro caso de infeção pelo vírus Ébola em Goma, uma importante cidade no leste do país atualmente controlada pelo grupo armado M23.
Em declarações à agência AFP, o diretor do INRB em Kinshasa, professor Jean-Jacques Muyembe, explicou que o diagnóstico positivo foi validado por testes laboratoriais, tratando-se da viúva de um homem que faleceu devido à doença em Bunia, tendo a mulher viajado para Goma após a morte do marido.
Este novo contágio agrava a preocupação das autoridades sanitárias, visto que o surto, centrado na província de Ituri, já provocou 80 mortes e regista pelo menos 246 casos suspeitos nas localidades de Rwampara, Mongwalu e Bunia, segundo um comunicado do Ministério da Saúde congolês citado pela agência EFE.
O ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba Mulamba, alertou para a gravidade da situação, sublinhando que esta estirpe do vírus apresenta uma letalidade muito elevada e que ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos disponíveis para a combater. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus Ébola é transmitido por fluidos corporais, causa febre alta, fraqueza extrema e hemorragias, apresentando uma taxa de mortalidade entre os 60% e os 80%.
Face ao cenário de crise, o Governo congolês ativou o Centro de Operações de Emergência, reforçou o controlo fronteiriço e avançou com medidas urgentes, como assistência médica gratuita e o envio de equipas de intervenção rápida, apelando à população para que reforce a higiene e reporte sintomas sem entrar em pânico.
A resposta internacional também já está em marcha, com a OMS a enviar especialistas e cinco toneladas de material clínico a partir de Kinshasa para apoiar a linha da frente em Bunia, enquanto o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) da União Africana ativou um plano de contingência regional.
O Africa CDC alertou para o elevado risco de propagação devido ao intenso fluxo de pessoas ligadas à atividade mineira e à proximidade com o Sudão do Sul e com o Uganda, país que já notificou um caso importado, tendo a agência convocado para hoje uma reunião de urgência com a OMS e parceiros internacionais para garantir apoio político ao mais alto nível.
Este surto constitui a 16.ª ocorrência de Ébola na República Democrática do Congo desde a descoberta do vírus em 1976, sendo que o último episódio no país tinha sido registado no final de 2015, na província central de Kasai.