Oeiras, Lisboa, 16 mai 2026 (Lusa) — A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) identificou hoje a falta de infraestruturas como o principal obstáculo ao desenvolvimento do futebol feminino em Portugal. Para combater esta e outras lacunas, o organismo vai avançar com um investimento de 23 milhões de euros na próxima temporada, direcionado para as associações, seleções nacionais e Liga feminina.
No final do segundo Conselho de Presidentes, realizado na Cidade do Futebol, em Oeiras, o presidente da FPF, Pedro Proença, sublinhou que o crescimento do número de praticantes está diretamente dependente da melhoria das condições físicas e apelou à intervenção do poder político.
“Temos um projeto para o desenvolvimento e crescimento do número de praticantes. Há um problema de infraestruturas, no qual Governo e municípios terão de estar convocados. Não se pode querer crescer se as infraestruturas não crescerem. A FPF assumirá este investimento”, afirmou o líder federativo em declarações aos jornalistas.
O encontro, classificado por Proença como uma "jornada de reflexão muito importante", serviu também para debater a violência física e verbal no desporto português. O presidente da FPF assegurou que a federação está na linha da frente deste combate, destacando as 84 alterações regulamentares já introduzidas e as nove medidas fundamentais apresentadas ao Governo para erradicar a violência dentro e fora dos recintos desportivos.
Ligada a este combate está a meta de alcançar os 12.000 árbitros no final da próxima década. "É um número que terá de se atingir com a erradicação da violência", vincou o dirigente.
Outro dos temas centrais da reunião prendeu-se com o modelo atual de escrutínio dos investimentos nas Sociedades Anónimas Desportivas (SAD). A FPF detetou lacunas que põem em causa a sustentabilidade e o equilíbrio competitivo entre os clubes.
Para mitigar o problema, o organismo propõe a revisão do Regime Jurídico das Sociedades Desportivas e a criação de um órgão independente — a funcionar na própria FPF — com autonomia total para avaliar e certificar a idoneidade dos novos investidores no futebol nacional.