15 de maio de 2026 (Lusa) — O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, afirmou hoje perante as Nações Unidas que o futuro da Palestina cabe exclusivamente ao seu povo, sublinhando que a comunidade internacional não pode continuar a ignorar os seus direitos. A mensagem foi transmitida no dia em que se assinalou o 78.º aniversário da Nakba — o êxodo e a expulsão de cerca de 750 mil árabes das suas terras aquando da fundação do Estado de Israel, em 1948.
Num discurso lido pelo embaixador palestiniano na ONU, Riyad Mansour, Abbas referiu que a evocação oficial desta data pela organização, instituída desde 2023, representa "um passo na direção certa" para corrigir uma "injustiça histórica". O líder palestiniano avisou ainda que "quem acredita que é possível alcançar a paz e a segurança sem respeitar os direitos dos palestinianos está completamente delirante".
O Presidente palestiniano aproveitou a ocasião para alertar que o cessar-fogo em Gaza, em vigor desde outubro sob mediação norte-americana, "continua frágil". Abbas acusou Israel de violar a visão de Washington ao continuar a bloquear a ajuda humanitária, a reduzir a geografia do enclave e a provocar a morte de civis — o balanço pós-tréguas já ultrapassa as 850 vítimas mortais, elevando o total acumulado desde outubro de 2023 para mais de 72.600 mortos.
Durante a cerimónia em Nova Iorque, promovida pelo Comité para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestiniano, foi feito um apelo global por uma resolução justa do conflito. O evento ficou marcado por uma homenagem a Hind Rajab, a criança de cinco anos que faleceu em janeiro de 2024 num ataque israelita ao carro onde viajava com a família, e que se tornou um dos maiores símbolos do impacto humanitário da guerra em Gaza.