Pequim, 15 de maio de 2026 (Lusa) — A menos de um mês do arranque do Campeonato do Mundo de Futebol, o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, encontra-se em Pequim numa missão de última hora para tentar desbloquear a venda dos direitos de transmissão televisiva no gigante asiático. A ausência de um acordo para o mercado chinês — e também para o indiano — a seis semanas do torneio constitui uma situação inédita na história recente da prova.
Segundo a imprensa estatal chinesa, a delegação liderada por Grafström tem mantido reuniões intensas com a Associação Chinesa de Futebol (CFA) e com a CCTV, a emissora estatal que detém o monopólio das negociações de grandes eventos desportivos no país. Embora o dirigente tenha aproveitado a estadia para visitas institucionais, como a passagem pelo Estádio dos Trabalhadores em Pequim, o foco central é financeiro.
Divergências milionárias O cerne do conflito reside na disparidade de valores. Relatos locais indicam que a FIFA baixou as suas pretensões iniciais de 300 milhões de dólares para cerca de 150 milhões. No entanto, a CCTV mantém um orçamento rígido que não ultrapassará os 80 milhões de dólares.
A resistência chinesa em ceder às exigências da FIFA é alimentada por vários fatores:
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Ausência da Seleção: A seleção da China falhou a qualificação, o que reduz drasticamente o valor comercial do torneio para os anunciantes locais.
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Fusos Horários: Sendo o Mundial organizado na América do Norte (EUA, Canadá e México), a maioria dos jogos será transmitida de madrugada na China.
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Novos Hábitos: O crescimento das plataformas digitais de vídeos curtos está a retirar audiência à televisão tradicional, tornando o investimento da CCTV mais arriscado.
Pressão sobre a FIFA A FIFA confirmou que as negociações prosseguem sob confidencialidade, mas a pressão aumenta à medida que se aproxima o dia 11 de junho. O organismo que rege o futebol mundial enfrenta o cenário de não ter transmissão oficial nos dois países mais populosos do mundo, o que representaria um golpe significativo na sua estratégia de expansão global e nas receitas de patrocínios.
Pela primeira vez, o Mundial contará com 48 seleções, num formato alargado que promete ser o maior de sempre, mas que, na China, corre o risco de ficar fora dos ecrãs domésticos se o braço de ferro financeiro persistir.