Bragança, 14 de maio de 2026 (Lusa) — Um tratamento biológico inovador, desenvolvido pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB), já permitiu recuperar mais de 200 mil castanheiros infetados com cancro no Nordeste Transmontano. O sucesso do projeto levou à assinatura de um novo protocolo com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), garantindo a continuidade do programa por mais cinco anos.
A solução atua diretamente no fungo patogénico Cryphonectria parasitica, permitindo que a árvore regenere tecidos sem qualquer impacto negativo para a saúde humana ou para o ambiente. Segundo a investigadora Eugénia Gouveia, o tratamento apresenta uma taxa de eficácia global de 95%, com a vantagem de exigir apenas uma aplicação para curar o exemplar afetado.
Atualmente, o produto é aplicado exclusivamente nos soutos dos cerca de três mil produtores que integram o programa, mas o objetivo é a sua entrada no mercado. O presidente do IPB, Orlando Rodrigues, revelou que a instituição está a preparar o dossiê de homologação, esperando que a natureza biológica do produto facilite um processo de certificação mais célere.
A preservação dos soutos é estratégica para a economia regional, uma vez que Trás-os-Montes assegura cerca de 85% da produção nacional de castanha, um setor que atinge as 25 mil toneladas anuais nos concelhos de Bragança e Vinhais em períodos de normalidade agrícola.