Roma, 13 mai 2026 (Lusa) – O Governo italiano anunciou hoje o envio preventivo de dois navios caça-minas para as proximidades do Estreito de Ormuz. O ministro da Defesa, Guido Crosetto, esclareceu perante o parlamento, em Roma, que a intervenção destas unidades está estritamente condicionada à existência de uma "paz definitiva" ou de uma trégua "real e estável" entre o Irão e os Estados Unidos, rejeitando uma atuação baseada no atual cessar-fogo "frágil".
A movimentação da Marinha italiana é justificada por razões logísticas, uma vez que o deslocamento de unidades aliadas para o Golfo pode demorar cerca de um mês. Os navios serão posicionados inicialmente no Mediterrâneo Oriental e, posteriormente, no Mar Vermelho, mantendo-se a uma distância de segurança enquanto aguardam desenvolvimentos diplomáticos. O ministro sublinhou que a medida visa preparar a Itália para uma futura desminagem da zona assim que as hostilidades cessem formalmente.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, reforçou que esta iniciativa não constitui uma nova missão militar unilateral, mas sim um esforço para integrar uma futura coligação internacional de proteção à navegação mercante. Esta força "neutra e defensiva", discutida recentemente numa conferência em Paris, conta já com a intenção de participação de 40 países, dos quais 24 já disponibilizaram meios especializados para garantir que o Estreito de Ormuz volte a ser navegável.
A situação na região permanece volátil apesar do diálogo mediado pelo Paquistão. O bloqueio do Estreito e a apreensão de navios têm impedido o avanço das negociações em Islamabad, com Teerão a acusar os EUA de violarem o cessar-fogo assinado em abril. O conflito, que se internacionalizou após os ataques de 28 de fevereiro, mantém a comunidade internacional em alerta, com a Itália a posicionar-se estrategicamente para garantir a segurança das rotas comerciais mal se alcance um acordo de paz credível.