(Agência Lusa) - O Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa anunciou esta segunda-feira as medidas de coação para os agentes da PSP envolvidos no processo de alegadas torturas e violações nas esquadras do Rato e do Bairro Alto. Dos 14 polícias detidos que aguardavam decisão judicial, três ficarão sujeitos a prisão domiciliária e suspensão imediata de funções, enquanto os restantes arguidos aguardarão o desenrolar do processo em liberdade.
À saída do tribunal, o advogado Carlos Melo Alves confirmou as decisões, que surgem após o Ministério Público ter pedido, no último sábado, medidas mais severas, incluindo a prisão preventiva para quatro dos suspeitos. No total, a investigação já conta com 24 elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos, num caso que foi denunciado pela própria instituição e que resultou numa vasta operação do DIAP de Lisboa no início de maio.
Os factos em investigação remontam a incidentes ocorridos nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto, onde terão sido praticados 19 crimes de tortura, além de abusos de poder, ofensas à integridade física qualificada, falsificação de documentos e furto. Entre os suspeitos, encontram-se agentes que terão participado diretamente nas agressões e outros que, tendo assistido aos atos, são acusados de crimes por omissão.
A operação policial que levou a estas detenções incluiu 30 buscas domiciliárias e em esquadras, marcando um dos momentos mais críticos para a imagem da força de segurança nos últimos anos. O processo prossegue agora para a fase de instrução, com a maioria dos agentes suspensos ou sob vigilância das autoridades competentes.