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Seguro defende autonomia da UE na defesa sem "lógica de subjugação" aos EUA
Publicado em 08/05/2026 08:37
Nacional
Foto:Paulo Novais

(Lusa) - O Presidente da República, António José Seguro, reafirmou esta quinta-feira a urgência de a União Europeia alcançar uma "autonomia estratégica" sólida no setor da Defesa. No final de um encontro oficial com o seu homólogo italiano, Sergio Mattarella, o Chefe de Estado português defendeu que a Europa deve ser capaz de proteger o seu território e populações sem manter uma dependência crítica de países terceiros, nomeadamente dos Estados Unidos da América.

Apesar de sublinhar a importância vital de manter e reforçar a aliança transatlântica, Seguro foi perentório ao rejeitar qualquer modelo de "subjugação". Para o Presidente e Comandante Supremo das Forças Armadas, a relação com Washington deve pautar-se por uma cooperação entre iguais. "Aliados, cooperação, diálogo é importante, mas a Europa tem de fazer por si", declarou aos jornalistas, reforçando que a autonomia estratégica não implica o corte de alianças, mas sim o fortalecimento da soberania europeia.

António José Seguro apontou ainda o caminho para uma maior eficiência militar no seio dos 27 Estados-membros, sugerindo uma mudança de paradigma na gestão de recursos. O Presidente defendeu a prioridade ao mercado interno e o incentivo à opção por "comprar europeu" para fortalecer a economia e a indústria de defesa do continente.

Neste âmbito, sugeriu a criação de economias de escala, onde os meios militares sejam complementares entre as nações, evitando que cada exército nacional tente manter, isoladamente e com custos elevados, todo o tipo de armamento pesado.

Numa altura em que o Papa Leão XIV foca o seu pontificado no diálogo e no fim do sofrimento, o Presidente português evitou comentar diretamente a atuação da administração de Donald Trump, preferindo apelar à diplomacia internacional. Seguro alertou, contudo, para a instabilidade crescente no Estreito de Ormuz, sublinhando que a liberdade de circulação naquela região é fundamental para travar a escalada dos preços da energia e dos alimentos.

Questionado, por fim, sobre possíveis divergências com o Governo português relativamente à compra de caças norte-americanos, o Chefe de Estado desvalorizou qualquer conflito de pensamento. Seguro afirmou que o Executivo está a conduzir a política de defesa de acordo com o que considera ser o interesse nacional, respeitando as competências de quem governa.

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