A greve nacional dos profissionais de saúde, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (Stts), encerra esta terça-feira com um balanço de forte impacto no Serviço Nacional de Saúde. Segundo os últimos dados sindicais avançados ao final da tarde, a adesão à paralisação fixou-se entre os 70% e os 75%, provocando o adiamento de centenas de consultas e cirurgias programadas em todo o país.
O movimento, que abrangeu diversas classes profissionais, teve o seu maior expoente entre enfermeiros e técnicos auxiliares de saúde. Em contraste, a classe médica registou os níveis de participação mais baixos neste protesto de dois dias. De acordo com Diogo Mina, dirigente do Stts, os serviços mais penalizados foram os blocos operatórios e as consultas externas, com especial incidência em grandes unidades como os Hospitais de Santa Maria, São João, Santo António e Amadora-Sintra.
Apesar dos elevados números de adesão, o sindicato assegurou que os serviços mínimos foram cumpridos escrupulosamente. No entanto, o período foi marcado por denúncias graves de pressão sobre os trabalhadores. O sindicato afirma ter recebido 30 queixas formais e centenas de relatos telefónicos detalhando ameaças de processos disciplinares e despedimentos por parte de algumas chefias.
"Tivemos várias chefes de serviço a ameaçar os trabalhadores, dizendo que elas é que definiam os serviços mínimos e que os funcionários eram obrigados a comparecer", revelou Diogo Mina. O dirigente sublinhou que este clima de intimidação impediu que a adesão fosse ainda mais expressiva, com relatos de tentativas de atropelo ao direito à greve.
Na base do conflito estão reivindicações que o sindicato considera urgentes e sem resposta por parte da tutela. Mário Rui, presidente do Stts, aponta o atraso crónico no pagamento de horas extraordinárias, a estagnação das carreiras e a necessidade de uma nova estrutura para os técnicos auxiliares de saúde como os principais motores do descontentamento.
"Os trabalhadores estão exaustos. Neste momento, muitos deles nem sequer têm as horas extra em dia", afirmou o presidente do sindicato, lembrando que há processos de progressão salarial e aumentos pendentes desde 2023. O Stts exige agora uma abertura real para o diálogo por parte do Governo, de forma a evitar que a instabilidade no setor da saúde se prolongue.
Fonte:Lusa / Foto:João Relvas