Os motoristas e operadores do setor TVDE voltam a manifestar-se esta quarta-feira, com uma concentração marcada para as 10:00 no Campo Pequeno, em Lisboa. O protesto surge num momento estratégico, coincidindo com o processo de revisão da legislação que regula a atividade em Portugal, a chamada "Lei Uber".
As principais reivindicações do setor focam-se no aumento urgente das tarifas pagas pelas plataformas aos parceiros, na rejeição da integração do setor do táxi no regime TVDE e na criação de mecanismos de apoio ao custo dos combustíveis, que tem asfixiado as margens de lucro dos profissionais. Segundo Ivo Fernandes, da APTAD, e Victor Soares, da ANM-TVDE, apesar de existirem algumas divergências pontuais, a classe está agora unida em torno destes três pilares fundamentais.
A estratégia para o dia de hoje difere de manifestações passadas: não haverá cortejo de viaturas. Os organizadores apelaram a que os motoristas deixem os carros parados e se desloquem pelos próprios meios até às sedes da Bolt (Avenida da Liberdade) e da Uber (Avenida Barbosa du Bocage). Pelas 13:00, o grupo prevê estar junto à Assembleia da República para entregar um caderno reivindicativo aos decisores políticos.
A mobilização conta ainda com o apoio de influenciadores e criadores de conteúdo do setor, como Bruno Benedito e Tiago "TVDE do tuga", que têm utilizado as redes sociais para amplificar o apelo à paragem. Em paralelo, grupos de estafetas das plataformas Glovo e Uber Eats anunciaram também uma paralisação de 24 horas para o dia de hoje, em solidariedade com as reivindicações dos motoristas.
De acordo com os últimos dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), o mercado conta atualmente com 39.615 motoristas certificados e 14.649 operadores ativos. Os representantes do protesto recordam que aqueles que não puderem estar fisicamente em Lisboa devem, ainda assim, "desligar a aplicação" em sinal de protesto, independentemente do ponto do país onde se encontrem.
Fonte:Lusa / Foto:Homem de Gouveia