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Inoperacionalidade das VMER sobe 32%: Falta de médicos trava socorro em 2025
Publicado em 20/04/2026 08:19
Nacional

O sistema de emergência médica pré-hospitalar em Portugal registou um retrocesso preocupante no último ano. Em 2025, as Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) acumularam um total de 10.080 horas de inoperacionalidade, o que representa um aumento de 32% face ao ano anterior, quando as paragens se fixaram nas 7.653 horas.

De acordo com dados recentes, a taxa de inoperacionalidade das 44 viaturas em serviço situou-se nos 2,61%. Este valor contrasta negativamente com o período entre 2017 e 2020, altura em que o sistema demonstrava maior estabilidade, mantendo os níveis de paragem abaixo de 1% durante quatro anos consecutivos.

O INEM identifica a falta de recursos humanos, nomeadamente de médicos, como o principal motivo para as viaturas ficarem fora de serviço. Embora a gestão das escalas de serviço seja responsabilidade das unidades hospitalares onde as VMER estão sediadas, a dificuldade transversal em fixar clínicos no Serviço Nacional de Saúde tem impedido o preenchimento total dos turnos de socorro.

As regiões do Interior e o Algarve continuam a ser as mais fustigadas por esta carência de profissionais, sendo apontadas como as zonas onde é mais difícil constituir equipas completas. Embora avarias mecânicas ou manutenção de rotina contribuam para o tempo de paragem, estas causas representam apenas uma pequena fração do problema, comparativamente à falta de pessoal clínico.

Este agravamento da operacionalidade ocorre num momento de pressão sem precedentes. Em 2025, o INEM atendeu mais de 1,6 milhões de chamadas, o volume mais alto alguma vez registado pela instituição. Os meses de julho e agosto foram os mais críticos, refletindo o aumento sazonal da população e a dificuldade em assegurar escalas durante o período de férias.

Os primeiros indicadores de 2026 mostram que a tendência de inoperacionalidade elevada se mantém, reforçando a necessidade urgente de soluções para a retenção de médicos. Sem o pleno funcionamento das VMER, a capacidade de prestar suporte avançado de vida em tempo útil fica seriamente condicionada em várias zonas do país.

Fonte:CNN Portugal / Foto:Direitos Reservados

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