O antigo presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Meira, declarou esta quarta-feira que o Governo tinha conhecimento do bloqueio nos concursos para helicópteros desde o final do seu mandato, contrariando as afirmações da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
Em audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao INEM, que investiga responsabilidades durante a greve de final de 2024 e a relação política com o instituto desde 2019, Meira explicou que enviou propostas formais para resolver a situação, mas nunca recebeu orientações claras da tutela sobre o caminho a seguir.
“O Governo, na fase final do meu mandato, sabia do problema. Alertámos e apresentámos soluções, mas nunca fomos informados sobre as ações que seriam tomadas”, disse. O antigo presidente recordou ainda que tentou envolver a Força Aérea no transporte aéreo, sem sucesso.
Face à ausência de decisão política, Meira optou por avançar para um ajuste direto do contrato, assumindo o risco de não ser validado pelo Tribunal de Contas. Criticou a falta de orientação do Ministério da Saúde, afirmando que a tutela nunca indicou qual solução deveria ser adotada, apesar de terem sido enviadas “pelo menos duas propostas de resolução do Conselho de Ministros”.
A CPI, composta por 24 deputados e aprovada em julho de 2025, tem como objetivo esclarecer a atuação do INEM durante a greve e a supervisão política do instituto desde 2019.
Fonte:Lusa / Foto:Luís Forra