O WhatsApp, pertencente à Meta, denunciou que o Governo russo tentou bloquear o funcionamento da aplicação de mensagens com o objetivo de empurrar os utilizadores para uma plataforma concorrente controlada pelo Estado, classificando a ação como um retrocesso que compromete a segurança digital dos cidadãos.
Em comunicado publicado na rede social X, a empresa afirmou que impedir mais de 100 milhões de utilizadores russos de acederem a uma comunicação privada e segura representa um retrocesso preocupante. “Continuamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para manter os utilizadores ligados”, acrescentou a subsidiária da Meta.
A medida surge no contexto de uma repressão mais ampla do Estado russo contra redes sociais estrangeiras, que recentemente também impôs restrições ao Telegram, acusando a plataforma de não impedir o uso do serviço para “fins terroristas”. Fundado por Pavel Dourov, naturalizado francês, o Telegram é um dos serviços de mensagens mais populares da Rússia, ao lado do WhatsApp, cuja operação já estava em grande parte bloqueada desde janeiro.
As autoridades russas têm incentivado os cidadãos a utilizarem o Max, um novo serviço de mensagens promovido pelo Estado e menos popular, oferecido pela gigante russa VK desde 2025. O Max combina serviços administrativos e comércio online, mas é visto como uma ferramenta de vigilância e censura política.
No verão de 2025, a Rússia já tinha proibido chamadas pelo Telegram e pelo WhatsApp, alegando preocupações com a segurança e a ação de grupos estrangeiros. As autoridades afirmam ainda que Kiev tem recrutado cidadãos russos através destas plataformas para supostas atividades de sabotagem.
Pavel Dourov denunciou que restringir a liberdade digital dos cidadãos nunca é a solução, criticando Moscovo por tentar forçar os russos a migrarem para uma aplicação controlada pelo Estado.
Fonte:JN / Foto:Dr