A primeira volta das eleições presidenciais, realizada a 18 de janeiro, registou uma taxa de abstenção de 47,7%, um valor inferior ao observado nas presidenciais de 2021, quando 60,7% dos eleitores não votaram. Apesar da melhoria, a abstenção mantém-se elevada no contexto histórico do sufrágio presidencial em Portugal.
De acordo com os dados oficiais, 5.270.278 eleitores optaram por não votar neste primeiro sufrágio, ficando a taxa de participação acima da verificada em várias eleições anteriores, nas quais a abstenção ultrapassou os 50%. Em 2021, o número recorde de abstencionistas foi justificado, em parte, pelo contexto mais crítico da pandemia de covid-19 e pelo recenseamento automático de emigrantes com cartão de cidadão válido, introduzido por alterações legislativas em 2018.
No período pós-25 de Abril, a mais elevada taxa de abstenção em presidenciais, antes de 2021, ocorreu em 2011, na reeleição de Aníbal Cavaco Silva, com 53,56%. Situação semelhante verificou-se em 2001, na reeleição de Jorge Sampaio, e em 2016, na primeira eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, ambas com valores superiores a 50%.
Historicamente, as taxas mais baixas de abstenção registaram-se nas décadas anteriores, com destaque para a reeleição de António Ramalho Eanes, em 1980, considerada a eleição presidencial mais participada de sempre, com cerca de 84% de votantes.
Entre a primeira e a segunda volta das atuais presidenciais, realizadas a 16 de fevereiro, votaram mais 194.949 eleitores, segundo os mapas oficiais. No entanto, a segunda volta decorreu num contexto excecional, marcado por fortes intempéries associadas às depressões Kristin e Leonardo, que causaram vítimas mortais, desalojados e danos significativos em várias regiões do país.
Devido às cheias e à falta de condições de segurança, os municípios de Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã decidiram adiar o ato eleitoral para 15 de fevereiro.
A disputa pela Presidência da República opõe António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista e por outros setores da esquerda, e André Ventura, líder do Chega, numa eleição que escolherá o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa.