Portugueses entre os que mais sofrem para aquecer a casa na UE
Publicado em 02/02/2026 11:56
Nacional
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Dados recentes confirmam que Portugal continua a ocupar os lugares cimeiros do ranking europeu da precariedade energética. A combinação de baixos rendimentos, preços de energia elevados e mau isolamento térmico das habitações deixa milhares de famílias expostas ao frio extremo dentro de portas.A realidade é desconcertante: apesar de ser um dos países com mais horas de sol na Europa, Portugal apresenta uma das maiores taxas de incapacidade da população em manter a casa adequadamente aquecida. Segundo dados comparativos da União Europeia, o país situa-se significativamente acima da média comunitária neste indicador, revelando uma vulnerabilidade estrutural que afeta a saúde e o bem-estar dos cidadãos.

O Triângulo da Precariedade

O problema não é apenas meteorológico, mas sim socioeconómico. Especialistas apontam três fatores principais que explicam esta "fome de calor":

Eficiência Energética Deficiente: Grande parte do parque habitacional português foi construído sem isolamento térmico adequado, resultando em casas que perdem calor rapidamente no inverno.

Custo de Energia: O peso da fatura da eletricidade e do gás no orçamento familiar é dos mais elevados da Europa quando ajustado ao poder de compra.

Baixos Rendimentos: Com salários médios estagnados, muitas famílias são forçadas a escolher entre aquecer a casa ou suprir outras necessidades básicas.

Impacto na Saúde Pública

Viver em casas frias e húmidas não é apenas uma questão de desconforto. Esta condição está diretamente ligada ao aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares, contribuindo para o excesso de mortalidade que o país regista ciclicamente durante os meses de inverno.

Embora existam programas governamentais de apoio à renovação de edifícios (como o Fundo Ambiental), a burocracia e a necessidade de investimento inicial por parte dos proprietários têm limitado o alcance destas medidas junto das franjas mais pobres da população, que são, precisamente, as que mais precisam.

Fonte- Agência Lusa / Foto:IA

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