Marcelo em Leiria: Presidente assume falha no Estado de Calamidade enquanto 200 mil pessoas continuam às escuras
Publicado em 30/01/2026 21:06 • Atualizado 30/01/2026 21:07
Nacional
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O cenário na região de Leiria agravou-se drasticamente nas últimas horas. Com o falhanço dos prazos para a reposição da rede elétrica e cerca de 200 mil pessoas ainda às escuras em várias regiões do país, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, chegou ao terreno para confrontar a dimensão do desastre provocado pela tempestade Kristin.

O "Plano B" e a Crise de Sobrevivência

Perante a incapacidade de retomar a energia no prazo de 48 horas inicialmente previsto, o Presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, anunciou a ativação de medidas de emergência extrema. Em mensagem de urgência à Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, o autarca foi claro: o foco agora é a sobrevivência básica.

"Já percebi que vou ter que colocar em prática o plano B. Tenho que arranjar onde as pessoas possam aceder a bens básicos, como tomar banho", afirmou o edil, visivelmente fustigado pela pressão dos acontecimentos.

A Ministra Maria Lúcia Amaral classificou o fenómeno como uma "aprendizagem coletiva", sublinhando a dificuldade de antecipação. Contudo, para Marcelo Rebelo de Sousa, a resposta pecou por tardia, admitindo que o Estado de Calamidade deveria ter sido decretado no imediato.

Destruição Económica e Social

Durante a visita, o Presidente ouviu o apelo desesperado de empresários locais. Um dos alertas mais graves veio do setor da cunicultura, onde a destruição é total: dezenas de animais  que podem morrer sem água e sem luz, com as vias de acesso ainda obstruídas. A este cenário junta-se o colapso de infraestruturas críticas: o terminal rodoviário foi destruído e as escolas permanecem sem previsão de reabertura.

Bombeiros: Heróis de "Primeira Linha" 

Marcelo Rebelo de Sousa terminou o seu périplo junto dos Bombeiros de Leiria, num discurso marcado pela emoção. "São dias e noites inesperados. Foi intenso, largamente trágico e, sem o vosso contributo, não era possível acorrer às emergências", afirmou o Presidente.

Marcelo destacou a natureza singular desta catástrofe: "Aqui é uma calamidade urbana, nós não temos experiência no nosso país", reconhecendo que a mancha de destruição é superior a qualquer grande incêndio recente. O Chefe de Estado deixou um agradecimento profundo à coragem dos operacionais, reforçando o lema: "Uma vez bombeiro, bombeiro sempre".

No entanto, a visita deixou no ar uma questão que persiste há décadas. Os bombeiros voltam a ser os heróis indispensáveis numa crise nacional, mas continuam a ser a classe que, sistematicamente, fica na última linha das retribuições monetárias e do reconhecimento profissional efetivo pelo Estado.

Embora existam processos de atualização salarial em curso para 2026, a disparidade entre o risco assumido nestas "calamidades urbanas" e o apoio financeiro às corporações e aos homens permanece gritante. Fica o país a aguardar: será que é após a tragédia da Kristin que estes heróis serão, finalmente, valorizados ao nível que a sua entrega exige?Veremos.

Fonte - Declarações  televisivas em direto

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