O secretário-geral do PCP acusou o primeiro-ministro de apresentar como novidade uma medida antiga, ao anunciar a aquisição de 275 viaturas para o INEM. Segundo Paulo Raimundo, a compra das ambulâncias foi aprovada em 2023 e esteve durante anos por concretizar, não podendo agora ser usada como bandeira política.
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o líder comunista questionou onde esteve “fechada numa gaveta” a decisão desde que foi tomada, afirmando que não faz sentido “encher o peito” com um anúncio que apenas executa uma medida já aprovada há três anos.
Paulo Raimundo apontou ainda críticas à repetição de anúncios sobre o Hospital do Algarve, referindo que Luís Montenegro voltou a anunciá-lo “pela quinta ou sexta vez”, ao mesmo tempo que continua sem avançar qualquer decisão concreta sobre o Hospital do Seixal. Para o PCP, esta unidade é fundamental para responder às necessidades de uma população de cerca de 350 mil habitantes dos concelhos do Seixal e Almada.
Relativamente ao INEM, o secretário-geral comunista sublinhou que o reforço de viaturas não resolve o problema sem recursos humanos suficientes. Segundo afirmou, existem cerca de 400 profissionais em falta no sistema de socorro, alertando para o risco de a chamada “refundação do INEM” servir para transferir responsabilidades para o setor privado.
O dirigente do PCP considerou ainda que o anúncio das novas ambulâncias só surgiu na sequência das três mortes registadas esta semana, associadas a atrasos no socorro. Na sua opinião, sem esses casos, o Governo não teria avançado com o anúncio durante o debate quinzenal.
Paulo Raimundo destacou também que o primeiro-ministro assumiu a responsabilidade política pela situação no Serviço Nacional de Saúde, considerando que ficou claro que Luís Montenegro terá agora de responder pelas falhas existentes no setor.
O Governo anunciou a aquisição de 275 viaturas para o INEM, num investimento de 16,8 milhões de euros, apresentado como o maior da última década. Nos últimos dias, pelo menos três pessoas morreram após pedidos de ajuda ao INEM, com os meios de socorro a chegarem tarde. O instituto rejeitou responsabilidades diretas, apontando limitações de meios e a retenção de macas nos hospitais.
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