O Governo português ativou uma cláusula de emergência para interromper o sistema biométrico (EES) no Aeroporto Humberto Delgado. A medida surge após tempos de espera recorde que ultrapassaram as sete horas, gerando o bloqueio operacional da principal porta de entrada do país.O Ministério da Administração Interna (MAI) confirmou esta terça-feira a suspensão temporária, por um período de três meses, do novo sistema europeu de controlo de fronteiras (Entry/Exit System - EES) no Aeroporto de Lisboa. A decisão, de caráter excecional, visa descongestionar a zona de controlo de passageiros, que nas últimas semanas se tornou palco de filas intermináveis e protestos.
Bloqueio Operacional
Desde a implementação do sistema EES em outubro de 2025 — que exige a recolha de impressões digitais e fotografias de todos os cidadãos fora do espaço Schengen —, a infraestrutura de Lisboa colapsou sob o peso das novas exigências. Relatos de passageiros apontam para esperas que chegaram a atingir as sete horas, resultando em centenas de voos de ligação perdidos e numa acumulação crítica de bagagens.
Fontes do setor aeroportuário indicam que a atual configuração do aeroporto não permite o fluxo necessário para processar os dados biométricos ao ritmo das chegadas, criando um "funil" que a PSP, mesmo com reforços, não conseguiu gerir.
Plano de Contingência e Reforço da GNR
Para além da suspensão do sistema digital, o Governo anunciou um pacote de medidas imediatas para normalizar a operação:
Regresso ao Modelo Anterior: Durante os próximos 90 dias, o controlo de fronteira voltará a ser feito pelos métodos tradicionais (mais rápidos), dispensando a recolha biométrica obrigatória do EES.
Apoio da GNR: Pela primeira vez de forma estruturada neste contexto, militares da GNR com formação específica serão destacados para apoiar os agentes da PSP no controlo de passaportes.
Investimento em Equipamento: Foi autorizada a instalação urgente de novos balcões e "e-gates" para aumentar a capacidade de processamento em cerca de 30%.
A Reação das Companhias
A RENA (Associação das Companhias Aéreas em Portugal) já reagiu positivamente à medida, classificando-a como "inevitável" para evitar o cancelamento em massa de voos durante o período de inverno. No entanto, os especialistas alertam que esta é uma solução temporária e que Lisboa precisa de uma reforma profunda na gestão de fluxos antes da retoma do sistema europeu, prevista para o final do primeiro trimestre de 2026.
Esta suspensão é limitada ao Aeroporto de Lisboa, não se aplicando, para já, aos restantes aeroportos nacionais, onde o volume de passageiros não atingiu níveis de rutura semelhantes.
Fonte lusa imagem googlemaps