O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu com cautela ao reconhecimento da independência da Somalilândia por parte de Israel, anunciado esta sexta-feira. Questionado pelo New York Post, Trump afirmou que Washington não acompanhará, para já, essa decisão, embora tenha admitido que irá analisar o tema no futuro.
Numa declaração marcada por hesitação, o chefe de Estado norte-americano começou por dizer que a resposta dos EUA deveria ser “não”, acabando por reforçar essa posição pouco depois. Ainda assim, deixou a porta entreaberta, garantindo que irá estudar a situação e avaliar a possibilidade de um eventual reconhecimento.
Trump desvalorizou também a disponibilidade manifestada pela Somalilândia para ceder aos Estados Unidos um porto militar na sua costa, classificando a proposta como “pouca coisa”. Chegou ainda a questionar o grau de conhecimento internacional sobre o território, perguntando retoricamente se “alguém sabe realmente o que é a Somalilândia”.
Entretanto, Israel tornou-se o primeiro Estado-membro das Nações Unidas a reconhecer formalmente a independência da Somalilândia. A decisão foi comunicada pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ao presidente do território, Abdirahman Mohamed Abdulahi, conhecido como Irro, durante uma conversa telefónica em que foi assinado o documento oficial. Segundo Netanyahu, o reconhecimento segue o espírito dos Acordos de Abraão, promovidos pelos Estados Unidos em 2020.
O Governo israelita anunciou ainda a intenção de aprofundar rapidamente as relações com a Somalilândia, com cooperação prevista em áreas como agricultura, saúde, tecnologia e economia. O presidente somalilandês saudou o que classificou como um “momento histórico”, sublinhando o início de uma parceria estratégica com impacto na segurança e estabilidade regional.
Localizada no noroeste da Somália, a Somalilândia declarou unilateralmente a independência em 1991. Desde então, mantém instituições próprias, incluindo moeda, forças de segurança e administração autónoma, destacando-se pela estabilidade relativa numa região marcada por conflitos. Até agora, apesar de contactos diplomáticos informais, nenhum país membro da ONU tinha reconhecido oficialmente o território como Estado independente.
Fontejornaldenoticias/imagemarquivo