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Direção do SNS admite dificuldades nos hospitais apesar dos planos de contingência
Publicado em 24/12/2025 14:53
Saúde
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O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde, Álvaro Almeida, reconheceu esta quarta-feira que, apesar da existência de planos de contingência, a situação continua difícil em vários hospitais do país, nomeadamente nas regiões do Tâmega e Sousa, Douro e Vouga e no eixo Amadora/Sintra.

À margem de uma visita ao Hospital de Gaia, realizada num dia de tolerância de ponto, Álvaro Almeida explicou que o objetivo foi acompanhar o funcionamento das unidades de saúde e agradecer pessoalmente o empenho dos profissionais do SNS, numa altura particularmente exigente, em véspera de Natal.

Relativamente à tolerância de ponto, esclareceu que, embora a atividade esteja reduzida, os serviços de urgência mantêm-se em funcionamento e continua a existir resposta para altas hospitalares, consultas prioritárias, cirurgias urgentes e situações agudas. Em muitas unidades, o funcionamento ronda os 50%, uma vez que os profissionais se revezam na tolerância de ponto, garantindo níveis mínimos de resposta durante este período prolongado de feriados.

Ainda assim, persistem tempos de espera elevados em algumas urgências, como no Hospital Fernando da Fonseca, na Amadora/Sintra, e no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, onde se registam esperas superiores a nove horas. Álvaro Almeida sublinhou que estes constrangimentos não são exclusivos dos dias de tolerância de ponto, apontando problemas estruturais, sobrecarga populacional, falta de médicos de família e o aumento de casos de gripe como fatores agravantes.

O responsável confirmou também o adiamento de cirurgias não prioritárias, sobretudo em unidades que já ativaram o nível 3 dos planos de contingência, o mais elevado, o que implica a suspensão da atividade cirúrgica adicional e, em alguns casos, da atividade base, para libertar camas destinadas aos doentes urgentes.

Atualmente, cerca de 10 unidades hospitalares encontram-se neste nível de alerta, sem um padrão geográfico definido, incluindo hospitais das regiões do Tâmega e Sousa, Douro e Vouga, Braga e Amadora/Sintra. Mesmo assim, a situação continua a ser considerada preocupante.

Álvaro Almeida revelou ainda que cerca de 2.800 pessoas permanecem internadas sem necessidade clínica, aguardando vaga na rede de cuidados continuados ou respostas de cariz social. O SNS prevê a abertura de cerca de 1.500 camas nos cuidados continuados nos próximos meses, mas admite que essa solução não terá impacto imediato nas dificuldades atuais.

Quanto à linha SNS 24, que registou um aumento de 17% na procura este mês, o diretor executivo mostrou confiança na capacidade de resposta, apesar dos constrangimentos identificados, e aconselhou os cidadãos a recorrerem primeiro a este serviço ou aos centros de saúde em caso de doença aguda.

 

Por fim, Álvaro Almeida admitiu que a falta de recursos humanos continua a ser um problema estrutural do SNS, sem solução a curto prazo, o que poderá levar, como em anos anteriores, ao encerramento temporário de algumas urgências, sobretudo nas áreas de ginecologia e obstetrícia.

Fonte Jornal de Noticias

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